Travetis Barradas em Boites no Ceará

07:02 / comentários (1)


foto Sara Maia
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Ao som de Beyoncé, o ator Bernardo Vitor quis curtir a noite vestido de mulher. A boate Órbita, na Praia de Iracema, barrou a brincadeira. Uma semana depois do ocorrido, O POVO reproduziu a cena e comprovou: nas baladas de Fortaleza, a diversidade sexual segue alvo de intolerância e estranhamento

Sábado à noite, passa das 23 horas. Na porta do Complexo Armazém, no entorno do Centro Dragão do Mar, o segurança pede que Gisele espere por uma outra funcionária antes de comprar o ingresso. Gisele é Silvero Pereira. O ator, que pesquisa o universo das travestis e já desenvolveu várias peças sobre o tema, aceitou o convite do O POVO e saiu “montado” para testar algumas baladas da Cidade no quesito tolerância.

Uma semana antes - mais exatamente na sexta-feira, dia 11 - Bernardo Vitor, 25, também ator e parceiro de Pereira em suas montagens, foi barrado na entrada do Órbita Bar, vizinho do Armazém. Era noite de tributo a Beyoncé e Bernardo saiu para curtir produzido: foi vestido de mulher. O segurança impediu sua entrada porque a foto do documento apresentado na entrada não correspondia à imagem de Bernardo naquele momento.

“Expliquei que não era daquele jeito 24 horas. Nunca ouvi essa desculpa em lugar nenhum. Para mim, é preconceito disfarçado”, diz Bernardo. Uma semana depois, na porta do Armazém, o episódio voltou a se repetir. A travesti Gisele Almodóvar, personagem de Silvero Pereira, foi barrada sem rodeios. “A casa só aceita homem vestido de homem e mulher vestida de mulher”. Gisele pediu para falar com alguém da gerência. Não conseguiu. A reportagem teve mais sucesso, mas obteve da direção resposta semelhante. “Nossa casa é heterossexual, não é GLS. Não impedimos que mulheres que gostam de mulheres e homens que gostam de homens entrem, contanto que estejam vestidos de acordo com seu sexo e que não se beijem ou se abracem”, explicou Cláudia, gerente, que não quis dizer o sobrenome.

“A travesti sofre muito preconceito. O estereótipo da prostituição é muito forte. As pessoas julgam a condição de vida dela, mas não avaliam o histórico de vida, o que as instituições – a Igreja, a família, a escola – fizeram para ela estar na rua”, lamenta Silvero. Mas o saldo da noite de sábado foi positivo. Gisele entrou tranquilamente no Amici’s, também no entorno do Dragão do Mar.

Chamou a atenção, porque afinal não dá para aquele mulherão passar despercebido, mas sambou e curtiu sem ninguém atrapalhar. Teve até uma mulher que chegou para sambar junto, fez elogios e criticou o preconceito. Mais tarde, Gisele também entrou sem problemas no Kukukaya. Lá, os olhares de reprovação a acompanharam o tempo todo. O ambiente era mais hostil. “O público aqui é diferente, tem muita senhora, esse povo não está acostumado mesmo”, ponderou a Gisele de Silvero.

Naquela noite, o Órbita estava fechado, mas a proprietária da casa, Patrícia Carvalhedo, garante que desde o episódio com Bernardo, a portaria está flexibilizando o pedido de documentação para travestis. De acordo com Patrícia, o Órbita tem uma política rigorosa de checagem de documentos para evitar a entrada de menores de idade.

“Fui procurar o Grupo de Resistência Asa Branca (Grab) logo depois e eles me orientaram assim. Seria a forma menos intolerante de tratar o assunto. É uma questão muito delicada. Garanto que Bernardo não foi barrado por sua orientação sexual, foi um problema de bilheteria”, diz Patrícia, que tinha hora marcada ontem no Centro de Referência LGBT Janaína Dutra, ligado à Coordenadoria da Diversidade Sexual da Prefeitura.

“Isso nos pegou de surpresa. É um assunto que está mais em voga porque estamos às vésperas da aprovação da lei que criminaliza a homofobia e temos transexuais na mídia. Temos que conversar mais para saber lidar com essas situações”, considera Patrícia. Bernardo, por exemplo, registrou um Boletim de Ocorrência na terça-feira depois do incidente, mas ainda não sabe se vai levar adiante um processo. “Muita gente se cala. Eu fico com vontade de fazer alguma coisa. Não é para aparecer, até porque é uma situação constrangedora, mas para que não aconteça de novo”, pontua o ator. Como no sábado seguinte, quando Gisele foi barrada no Armazém.


BATE-PRONTO
O POVO - Um estabelecimento privado pode barrar um travesti?

Fernando Férrer - De maneira nenhuma. Não pode existir nenhum tipo de preconceito ou discriminação que ofenda sua origem, raça, sexo, cor, idade ou qualquer outra forma de discriminação.

OP - A direção do Órbita alega que não barrou Bernardo por estar vestido como uma mulher, mas, sim, porque a foto do RG não correspondia à imagem dele no momento. Isso é válido no caso de uma travesti?

Férrer - De forma alguma ele pode ser barrado por isso. É um ato discriminatório.

OP - Como deve proceder a travesti que passar por um constrangimento semelhante?

Férrer - O fundamental é ter como provar o crime de discriminação, aí se procura um advogado. Caso contrário, o risco de insucesso é grande. Ter testemunhas que possam comprovar a discriminação é muito importante. O Boletim de Ocorrência em si não prova nada. É interessante abrir um procedimento na hora. A Polícia tem obrigação legal de ir ao local do fato, apurar o crime. Fazer um BO dias depois não funciona.

Fernando Férrer. Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/CE).

Mariana Toniatti

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Nova Matéria sobre UMA FLOR DE DAMA

09:13 / comentários (0)

                                         http://arteseculturajornaldomunicipio.blogspot.com/

TEATRO: Uma Flor Silverana
Silvero Pereira  (foto ao lado) tem 26 anos de vida, 12 de teatro e há seis percorre o Ceará com o monólogo ‘Uma Flor de Dama’. O ator está entre os de mais sucesso no panorama artístico do Estado.
Inspirado no conto “Dama da Noite” de Caio Fernando de Abreu, o monologo que aborda a temática travesti que raramente é falada nos palcos cearenses.

“Ao ler o conto, percebi na forma que Caio escreve, apesar de ser um conto, a sua forma de escrever parece feita para teatro, parece uma dramaturgia”, afirma Silvero.
A primeira apresentação de “Uma Flor de Dama” foi em março de 2002 e oito anos depois Gisele Almodóvar, personagem de Silvero na peça, já contabiliza um total de 288 apresentações no monólogo.

Para a construção de sua personagem, Silvero, além de se apropriar das histórias de travestis conhecidas, também foi um quando em experimentação se travestiu e foi para as ruas conhecer de perto esse mundo da noite e do erotismo. Conhecendo o que elas têm a dizer de passado e presente de sofrimento e vida quando não estão fazendo esses papéis.

“Eu me vi com a necessidade de me travesti, sair com elas travestido para sentir na pele como era, pra ver como é que as pessoas reagem. Agora era diferente o ângulo, não era eu observando com elas reagem com os travestis, mas como elas reagem comigo sendo travesti e isso foi primordial para a construção do personagem”.

O monologo é apresentado como se a personagem estivesse num bar dialogando com um garoto o qual escuta seus desabafos e que parece realmente existir e estar lá, só que invisível contracenando com Silvero, debatendo temáticas diversas como religião, morte, pedofília, abuso, preconceito, família, AIDS, sorte, amor...

A peça, desde seu inicio, não só se apresentou só em teatros, mas também em bares e até mesmo na rua. Atualmente o formato intitulado por “Cabaré da Dama” se caracteriza por durante duas horas seguidas ocorrerem apresentações de performances travesti, brincadeiras e concursos onde ao final o monologo é apresentado.

Essa relação travesti, noite, erotismo, preconceito e sociedade é metaforizada nas falas de espetáculo onde o travesti compara o que é ditado como normal pela sociedade como sendo uma roda gigante que gira excluindo o que é considerado feio e anormal por essa sociedade.

“Como se eu não tivesse por fora desse movimento da vida, que vai rodando, girando, feito roda gigante com todo mundo dentro menos eu. Eu sempre fico de fora, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros. A linguagem que eles usam assim quando giram nessa roda gigante. Você tem que ter uma senha, um passe, um código, aí o cara deixa você entrar, sentar e rodar na roda como todo mundo, menos eu, eu sempre fico de fora, parada, babaca, pateta, ridícula, com a cara cheia, louca de vontade de tá lá rodando com todo mundo naquela roda idiota ... A roda faz isso com que tá fora dela”.

Com uma linguagem popular, a montagem levanta questionamentos e reflexões para a sociedade contemporânea injusta e mostra argumentações convincentes, no próprio texto da peça, que mudam a forma de pensar de quem assiste ao monólogo que é interativo, engraçado, trágico com um final admirável e história comovente onde  Silvero, em seu personagem, expõe os medos, aflições, pensamentos, desejos, anseios de um travesti que tem em comum com travestis da vida real, o sofrimento e a exclusão social

E sempre ao final , O Ator-diretor explica que o espetáculo não é uma defesa da temática travesti, mas sim uma defesa da aceitação por parte da sociedade diante das escolhas alheias, seja religiosa, sexual, time de futebol ou “diabo a quatro”, como diria Almodóvar.

Mas mesmo com a dificuldade de atrair público ao Teatro que não é algo disseminado na sociedade como cultural, assim como é hoje em dia a Televisão, esse tempo todo em cartaz não ensinou a Silvero somente a conhecer e aprender com a arte teatral, mas também sobreviver dela.

É o que reafirma Izabel Gurgel, atual diretora do Theatro José de Alencar quando diz que “Silvero participa dessa nova geração da produção da cena cearense de um modo muito vigoroso, de um modo muito especial, ele é um trabalhador da cultura na melhor acepção da expressão. Por quê? Por que ele tem muito claro na vida dele, no desempenho dele como artista de que ele é um trabalhador e que ele precisa viver do trabalho que ele realiza”.











Por Rogério Maia

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Mostra de Teatro Despudorado no BNB - Fortaleza

18:14 / comentários (0)

No escurinho do teatro



Três espetáculos para retratar a realidade humana em condições marginalizadas, fazer pensar. A arte cênica dá espaço para temas e pessoas por vezes discriminadas na Mostra de Teatro Despudorado, aberta amanhã (1º), no Centro Cultural Banco do Nordeste
Isabel Costa - especial para O POVO 31/08/2010 02:00

Travestis, nudez, prostituição, traição. Estes personagens e temas serão escancarados para esculpir a diversidade humana em diferentes facetas. Assim começa, a partir de amanhã (1º), a Mostra de Teatro Despudorado do Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB). A realidade e a ficção encontram-se no palco para mostrar angústias, luta pela sobrevivência e marginalização.

Para abrir a sequência de peças o Grupo Parque de Teatro vai apresentar Engenharia Erótica. Uma pesquisa de oito anos resultou na montagem que explora o universo dos transformistas no Estado do Ceará. “O espetáculo é um teatro documentário onde a gente expõe a vida de 200 tipos de travestis e transformistas”, disse o diretor e ator Silvério Pereira. Além do tempo realizando estudos, Silvero Pereira utilizou o livro Engenharia Erótica – Travestis no Rio de Janeiro, de 2006, como inspiração para constituir a montagem.

Quatro personagens fazem girar o enredo do espetáculo. Todos estão presentes em outros trabalhos da companhia Parque de Teatro. São resgatados, mas não para repetirem-se, e, sim, para serem inseridas em situações diferentes. Por vezes, é feita uma comparação entre a figura do travesti e o clown (palhaço). “Ele não é um personagem, ele é arquétipo. Ele não é criado pelo ator, ele existe dentro do ator. A gente parte da mesma filosofia do clown para o ator e o travesti”, diz.

Dando continuidade, o público poderá ver Abajur Lilás. A ideia surgiu em 1999 quando o diretor Edson Cândido estava em São Paulo. As relações de poder são exploradas através da figura central de Gino. Em um prostíbulo, ele explora três mulheres e finca uma figura de ditador. Leninha, Célia e Dilma vivem em um circulo de dominador e dominante, fuga e consolo. Quando uma delas quebra um abajur a estrutura tão consolidada sofre as primeiras rachaduras e são desencadeados conflitos que, aos poucos, desembocam numa tragédia.

“Abajur Lilás, como qualquer outro trabalho, fala do ser humano marginalizado, porém humano”, destaca o diretor Edson Cândido. O coletivo fez uma pesquisa de um ano em prostíbulos de Fortaleza e na Praça José de Alencar. Entretanto, nem tudo o que foi visto neste período faz parte da peça. “No espetáculo, a gente não coloca todas as imagens que nós vimos, por que eram coisas muito fortes. A gente deu uma amenizada, mas mesmo com essa amenizada ainda choca. A vida da prostituta é muito difícil, mas são seres humanos”, pontua o diretor.

Para a Mostra de Teatro Despudorado, a trupe agregou novos atores dentro da proposta já consolidada. O realismo de uma ferida aberta surge para fazer os expectadores refletirem sobre a condição humana encontrada mesmo nos espaços e profissões mais discriminados. Abajur Lilás também entra em diálogo com a rua. Catadores de material reciclável e vendedores ambulantes entram o jogo para incrementar.

Fechando a programação o público verá Nudez sem castigo, do Grupo Centauro. Inspirado no texto de Nelson Rodrigues Toda Nudez será Castigada, o grupo desenvolveu uma textualidade composta de fragmentos em que a relação do casal principal se destaca, transformando-se numa investigação cênica sobre as relações humanas.

SERVIÇO
MOSTRA DE TEATRO DESPUDORADO – a programação especial acontece no Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto - 941, Centro), a partir de amanhã (1º). Classificação indicativa de 18 anos para os três espetáculos. Será exigido documento de identificação (RG, CNH ou carteira profissional) no momento da entrega do ingresso. Informações: 3464.3108. Entrada gratuita.

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Elas querem visibilidade

19:30 / comentários (1)


Em entrevista para o site: http://debandeira.com.br/?p=1302

Por Caroline Avendaño (carolavendano@gmail.com) e Denise Barbosa (denise.cr@hotmail.com)


Imagine uma combinação trágica entre sonhos e violência, glamour e dor, carência afetiva e sexualidade exacerbada: esse é o mundo das travestis. Uma mescla de antagonismos, realidades, conceitos e sentimentos. Amadas por alguns ao cair da noite na cidade e repugnadas por todos no surgir da aurora. Toda a complexidade do ser homem e ser mulher. Ser travesti, nas palavras de Vanessa, “não é querer ser mulher… É mais do que uma mulher… É mais bonito que uma mulher, é melhor que uma mulher!” (trecho extraído do livro Engenharia Erótica: travestis no Rio de Janeiro, de Hugo Denizar, Editora Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1997). A travesti nunca é um ou o outro, ela tem a capacidade da dualidade do ser. Ou seja, ser travesti não é fácil, sua história é trágica desde o seu princípio: das dúvidas à afirmação, preconceitos na escola, expurgação do seio familiar, início na prostituição, convivência com a violência das ruas, transformações dolorosas no corpo, desassistência do poder público e preconceito por todos os lados: essa é a trajetória, ou como prefere falar o teatrólogo Silvero Pereira, é a condição de vida de grande parte das travestis. Silvero prefere esse termo em oposição à história de vida: “Quando você a vê (a travesti) na rua, se prostituindo, não imagina a história que levou àquilo, você julga pelo momento, pela condição atual. Mas, na realidade, o que a levou a isso? A gente tem a mania de julgar pelo que a gente vê, mas aquela não é a história que ela quis para a sua vida, e sim uma condição à qual ela foi submetida, na maioria dos casos (…) a minha intenção é que as pessoas vejam as travestis pelo que elas viveram e não pela condição que ela está naquele momento.”

A travesti nas artes

Pesquisador sobre o universo das travesti já há oito anos, há seis Silvero realiza espetáculos mostrando esse universo na tentativa de quebrar preconceitos, trazer mais aceitação e compreensão das famílias que convivem com a realidade da homossexualidade. O espetáculo mais recente “Engenharia Erótica: Fábrica de Travestis” é uma versão mais comercial dos produzidos anteriormente. Diretor e ator na peça, Silvero afirma que sofreu preconceitos até mesmo dentro da classe artística. Segundo ele, a pressão deu-se por vários motivos: o primeiro, pela própria temática em si; o segundo ocorreu pela errônea idéia de que todo homem que faz teatro é gay e realizando-se um espetáculo com show de transformismo e sobre travestis, só reforçaria esse pré-conceito.

A série de produções iniciada em 2004 com a esquete “Uma Flor de Dama” baseado no conto de Fernando Abreu, Dama da Noite, possuía um público de, no máximo, 15 a 20 pessoas. Seguido do “Cabaré da Dama” e a partir da participação e reconhecimento em vários festivais da área, como o IX Festival do Recife de Teatro Nacional e o prêmio de melhor ator no XIII Festival Nacional de Teatro de Guaramiranga, os espetáculos passaram a ter maior aceitação do público. Prova desse sucesso foi a última produção da série, a peça Engenharia Erótica, que teve a derradeira apresentação no dia 24 de junho, contando com cerca de 150 pessoas por sessão, em oito apresentações, levando-se em consideração também o alto valor do ingresso para a realidade cearense (20 reais) e a maior heterogeneidade de público: casais heterossexuais, senhores e senhoras de idade, além dos jovens, público cativo das outras versões.

A travesti na cidade

Apesar da falta de dados oficiais, considera-se que existem, no Brasil, cerca de 20 a 30 mil travestis (dados do Grupo Gay da Bahia) e, em Fortaleza, cerca de 600, segundo a Associação dos Travestis do Ceará. A maioria vive da prostituição, mas existem exemplos como o de Luma Andrade, que é considerada pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (AGBLT) como a primeira travesti do país com doutorado, este em Educação pela Universidade Federal do Ceará. Apesar do preconceito que sofreu para ensinar nas escolas, Luma hoje é servidora concursada do Estado, na Secretaria da Educação, e coordena 28 escolas em 13 municípios do interior do Ceará. Temos ainda Andrea Rosati, assessora especial para políticas públicas LGBTT da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social – STDS e Lena Oxa, apresentadora do programa Tribos GLS da TV Diário. É fato: grande parte das travestis parte para a prostituição (e todas as outras são estigmatizadas por isso) a partir da não aceitação de sua sexualidade no núcleo familiar.

Apesar de alguns exemplos de visibilidade das travestis em outras áreas da sociedade, a população só enxerga o que está mais próximo a si: a prostituição nas ruas da cidade, como na avenida José Bastos, Abolição ou na BR-116, próximo a Messejana. Por essas condições de vida, calcula-se que a travesti é mais vulnerável em relação às outras homossexualidades, como gays e lésbicas: é cerca de 260 vezes mais vítima de arma de fogo na rua e muitos destes crimes são cometidos com requintes de crueldade, incluindo tortura e espancamento, ou seja, são crimes de ódio (informações do Grupo Gay da Bahia).

O preconceito e as dificuldades surgem também no acesso a locais e serviços públicos: são discriminadas no atendimento em bancos, escolas e postos de saúde. Neste último, os atendimentos são geralmente marcados no período da manhã, quando as travestis estão dormindo, após a jornada de trabalho noturna. Atitudes simples podem aliviar essa agressão, a começar pela utilização do nome social, que é o nome feminino adotado a partir da transformação da travesti ou permitindo a utilização dos banheiros femininos nesses locais. Inclusive em alguns estados (SC, PR, SP, RJ, BA, AL, PB, PA e GO) as travestis já podem ter seus nomes sociais utilizados em documentos escolares como chamadas, cadernetas, históricos e certificados. O serviço de saúde é ainda mais necessário para este público, pois as travestis, durante o seu percurso em busca das formas femininas, realiza, por meio das “bombadeiras” – travesti que transforma o corpo das suas clientes – uma série de injeções de silicone industrial, imprópria para o organismo humano, num rito de passagem dramático e doloroso, trazendo uma série de riscos à sua saúde. No documentário “Bombadeiras” (2007), Luis Carlos de Alencar desvenda esse universo simbólico de morte e renascimento, revelando como se dá a construção da identidade de gênero da travesti. O vídeo está disponível para visualização online no endereço eletrônico vimeo.com/6653323.

Políticas públicas para travestis

O município de Fortaleza conta com uma Coordenadoria da Diversidade Sexual, parte da Secretaria de Direitos Humanos. O órgão existe desde 2005 e tem como principal função gerir políticas públicas de enfrentamento ao preconceito e à discriminação por orientação sexual. Estão entre as ações da coordenadoria projetos que lutam contra a homofobia e a favor de melhorias nas áreas de saúde, lazer e esporte para o segmento. Em janeiro deste ano, outra importante conquista dos grupos LGBTT a nível municipal foi a permissão para que travestis e transexuais utilizem, em documentos oficiais, o nome social ao lado do nome de registro.

Conheça outras organizações que trabalham em defesa dos direitos das travestis: Associação das Travestis do Ceará – Atrac: (85) 3254-3645 e Grupo de Resistência Asa Branca – Grab: (85) 3253-6197.

Uma Fábrica de Travestis

O espetáculo Engenharia Erótica: Fábrica de Travestis conta a história de quatro travestis: Deydianne Piaf, Yasmin Shyrran, Verónica Valenttino e Gisele Almodóvar. Juntas, elas compartilham com o público os seus sonhos, desavenças e experiências na passarela da vida: as ruas de Fortaleza. Tendo como referência o livro Engenharia Erótica: Travestis no Rio de Janeiro, do fotógrafo e psicanalista Hugo Denizart, a peça retrata o modo de vida das travestis cearenses para além dos estereótipos e preconceitos.

Conheça algumas palavras do mundo travestido:

Dar linda – Fazer sexo de modo passivo, porém muito prazeroso
Fazer carão – Fazer pose
Fazer pista – Sair para fazer programa na rua
Gravação – Sexo oral
Pêssega – Pessoa não muito provida de esperteza
Pireli – Enchimento, geralmente feito de espuma, com o intuito de replicar as formas femininas
Racha – Mulher
Tia – Aids, bicha vivida.
Truque – A acrobacia feita por travestis, transformistas, drags ou caricatas para esconder o pênis.
(Extraído do folheto da peça)

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Luz na passarela

08:20 / comentários (1)

LUZ NA PASSARELA

Depois de duas apresentações para testar o formato do novo espetáculo, Silvero Pereira estreia hoje o polêmico Engenharia Erótica - Fábrica de travestis

Magela Lima
magela@opovo.com.br

06 Mai 2010 - 02h13min


O que se pode esperar de um espetáculo com nome e sobrenome, título e subtítulo? Exagero. É exatamente isso que o ator e diretor Silvero Pereira persegue em seu mais recente trabalho: Engenharia Erótica - Fábrica de travestis, livre adaptação do livro do psicanalista carioca Hugo Denizart, em cartaz todas as quintas-feiras de maio no Espaço Sesc Senac Iracema. Ao lado de Denis Lacerda, Diego Salvador e Jomar Carramanhos, Silvero explode todo o conjunto de situações e experiências coletadas ao longo de anos de pesquisa e diálogo com o público nas expressivas 266 apresentações do solo Uma Flor de Dama, montagem de maior projeção no panorama recente do teatro cearense.

Sozinho em cena, de posse de um mote do gaúcho Caio Fernando Abreu, o ator superou os limites da narrativa original e avivou sua encenação com traços e vivências que o contato cotidiano com os tipos reais que se interessava em representar lhe rendeu. Assim, para compor uma travesti, Silvero Pereira se aproximou delas. Fez ponto nas ruas, quando preciso, e nas boates, quando lhe era permitido, fortalecendo uma conexão simbólica para a montagem de 2004, ainda um esquete, que se dilata agora em Engenharia Erótica & Fábrica de travestis. Para o ator, a marginalização do ambiente familiar que limita as travestis à prática da prostituição é contraponto direto dos shows de transformismo.

(...) Leia matéria completa: clique aqui.

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Engenharia no jornal O Povo (14/04)

23:55 / comentários (1)



Novas damas
14 Abr 2010 - 01h58min

Completando sua trilogia sobre a vida de travestis e transformistas, Silvero Pereira dirige e atua em Engenharia Erótica - Fábrica de travestis


Em 2004, o ator e diretor teatral Silvero Pereira tomava uma decisão que guiaria parte de sua produção artística nos próximos seis anos. Foi ali que o também dramaturgo decidiu adaptar para o teatro a obra A dama da noite, do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, renomeando para os palcos como Uma flor de dama. A partir daí, o artista mergulhou no mundo das ``damas da noite``, frequentando festas, absorvendo trejeitos, ouvindo histórias e fazendo parte desse universo & marginalizado e afligido por estereótipos e preconceitos da sociedade. A terceira parte dos frutos da pesquisa sobre travestis, transgêneros e transexuais, desenvolvida por Silvero nos últimos anos, pré-estreia hoje no palco do Theatro José de Alencar (TJA), com o espetáculo Engenharia Erótica & Fábrica de travestis.

As apresentações de hoje e sexta fazem parte ainda do processo de montagem, daí serem encenadas para uma plateia de 60 convidados, que puderam se inscrever para a audiência do espetáculo desde o dia 10 de abril, através do site da peça (www.fabricadetravestis.com.br). O espetáculo, inspirado na obra homônima do psicanalista Hugo Denizart, entra em cartaz no Teatro Sesc Iracema no próximo mês.

(...)

Leia a matéria completa em: http://opovo.uol.com.br/opovo/vidaearte/972498.html

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Engenharia Erótica no site da Tembiu

23:49 / comentários (0)


A Tembiu colocou uma matéria sobre o Engenharia Erótica...

confira em:

http://www.tembiu.pro.br/oktiva.net/1209/nota/159135

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